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Depois da derrota no Vietnã, o governo dos Estados Unidos tomou uma série de medidas com o fim de afastar dos olhos da opinião pública a ação de suas forças armadas. Nesse conjunto de medidas estão o controle e a manipulação da mídia, a supressão de garantias democráticas que a Constituição do país prevê, a substituição do sistema de convocação de civis para o serviço militar obrigatório pelo sistema de contratação de profissionais, a intensificação da pesquisa por armas que matam sem risco para o matador etc., que foram e continuam a ser desenvolvidas, enquanto o mundo é levado por Washington e seus aliados menores a guerras neocolonialistas e ao risco de uma nova guerra mundial.

Tom Engelhardt, inteligente e valoroso pesquisador estadunidense, pôs em seu site uma análise inteligente e fundamentada dessa política de seu país.

Leia a seguir a tradução de Baltazar Pereira (na qual deixam de aparecer mais de uma dezena de links para apoio do texto, que estão na versão original).

A guerra pilotada remotamente
Como a guerra de drones tornou-se o “ameriacan way”

Por Tom Engelhardt
Tradução de Baltazar Pereira

Na cabeça dos estadunidenses, se a Apple fabricasse armas, estas seriam sem dúvida drones, as aeronaves guiadas remotamente tão bem recebidas pela imprensa daqui. Têm sido saudadas como se fossem o mais elegante dos iPhones, equipado com mísseis.

Quando os primeiros drones assassinos estadunidenses surgiram no cenário mundial, no começo da década passada, tomaram a maioria de nós de surpresa, sobretudo porque pareciam vir de lugar nenhum, ou de algum extravagante romance de ficção científica. Desde então, são aclamados pela mídia como os presentes mais atraentes sob a árvore de Natal bélica estadunidense, as armas perfeitas para resolver nossos problemas, quando se trata de malfeitores que espreitam nos confins áridos do planeta.

E como culpar os estadunidenses pelo seu caso de amor com o drone? Quem não ficaria maravilhado pela arma de tecnologia mais avançada e futurista existente, só benefícios, sem nenhum sacrifício?

Eis a questão, no entanto: ponha os drones em um contexto mais trivial, deixe de lado os comentários boquiabertos, e eles vão tornar estranhamente familiares. Se, por exemplo, fossem fábricas de automóveis, pareceriam a nós bem menos exóticos.

Pense nisto: O que faz um drone? Como uma fábrica moderna de automóveis, ele substitui o piloto, um trabalho qualificado que exige treinamento considerável, por robótica e uma versão degradada do mesmo trabalho, contratada em algum lugar no exterior. Nesse caso, a localidade “estrangeira” para a qual o trabalho foi transferido não é a China ou o México, mas uma base militar nos Estados Unidos, onde um sujeito com uma alavanca de comando, treinado às pressas e sentado em frente a uma tela de computador, “pilota” o avião. E, dada nossa experiência com a sangria de bons empregos de que sofrem os Estados Unidos, quem ficará surpreso ao descobrir que, em 2011, a Força Aérea dos EUA já treinava um número maior de “pilotos” de drone do que o número somado de verdadeiros pilotos de caças e de bombardeiros?

Esse é um aspecto de como os drones são algo diferente das maravilhas futurísticas de ficção científica que imaginamos que sejam. Mas há outra via pela qual os drones  têm rumado em direção à “pátria” estadunidense durante quatro décadas, e ela não tem quase nada a ver com tecnologia, avançada ou não.

Em certo sentido, pode-se considerar a guerra de drones como a forma mais natural para as guerras só de soldados voluntários. A fim de entendermos a razão disso, precisamos remontar a uma decisão crucial implementada enquanto terminava a Guerra do Vietnã.

Desarmando os amadores, desmobilizando os cidadãos

É verdade que, no rastro de guerras desgastantes que foram também derrotas – das quais a versão Afegã acaba de entrar em seu 11° ano — as forças armadas dos EUA estão em péssima forma.  Seus equipamentos precisam ser renovados e suas tropas estão exaustas. Estresse de missões em zona de guerra, repetidas sem cessar, danos cerebrais e outros ferimentos causados pelas bombas de estrada que têm substituído com frequência o inimigo visível no “campo de batalha”, índices de suicídio que não podem ser contidos, violência sexual crescente entre os militares, índices de crime cada vez maiores em torno das bases militares e todas as tensões e dores de uma guerra sem fim cobraram seu tributo.

Ainda assim, nossas forças armadas permanecem intactas, disciplinadas e profissionais. Se o que se quer é ver uma força moribunda, deve-se deixar para trás os anos após o 11 de Setembro e retornar à época do Vietnã. Em 1971, no Armed Forces Journal (Diário das Forças Armadas), o coronel Robert D. Heinl, Jr., autor de uma história definitiva do Corpo de Fuzileiros, escreveu sobre “condições generalizadas entre as forças estadunidenses no Vietnã que foram excedidas, neste século, apenas pelos motins de Nivelle no exército francês, em 1917, e pelo colapso dos exércitos czaristas [da Rússia] em 1916 e1917.”

As forças armadas estadunidenses no Vietnã, em bases nos EUA e pelo mundo inteiro estavam praticamente à beira da rebelião. A insatisfação com uma guerra cada vez mais impopular no continente asiático, rejeitada por mais e mais estadunidenses e que enfrentava protestos enfáticos no país, havia contaminado os militares, cujo número era, afinal de contas, formado na maior parte por convocados.

Os índices de deserção aumentavam, assim como o uso de drogas. No campo de guerra, as operações “perseguir e desertar” (um substituto zombeteiro e descritivamente preciso de “perseguir e destruir”) tornavam-se lugar-comum. Os “fraggings” – ataques a oficiais ou suboficiais impopulares – haviam dobrado. (“Notícias das mortes de oficiais são motivo de comemoração durante sessões de cinema para as tropas ou nos acampamentos de certas unidades.”). De acordo com o coronel Heinl, havia então144 “jornais clandestinos” publicados por soldados ou dirigidos a eles. De fato, no momento em que o coronel escrevia, o movimento antiguerra nos EUA era liderado por uma maré crescente de veteranos do Vietnã insatisfeitos, que se pronunciavam contra aquela guerra e contra a maneira como a haviam lutado.

Um exército de cidadãos estadunidenses, uma força militar de convocados, havia atingido seu limite e votava desse modo, através de suas ações, contra uma guerra imperial. Era a democracia em ação, transferida ao campo de batalha e à base militar. E era profundamente perturbadora para o alto comando dos EUA, que então já havia perdido a fé nas possibilidades futuras de um exército de convocados. De fato, ao deparar-se com tropas cada vez mais indisciplinadas, os principais comandantes militares haviam concluído claramente: nunca mais outra vez!

Assim, no mesmo dia em que eram assinados os Acordos de Paz de Paris, em Janeiro de 1970, sinalizando oficialmente o final do envolvimento dos EUA no Vietnã (embora não o terminando de todo), o presidente Richard Nixon assinava também um decreto que terminava a conscrição. Era admitir o óbvio: a guerra, no estilo estadunidense, como vinha sendo praticada desde a II Guerra Mundial, perdera a atração que exercia antes sobre as mentes jovens.

Não havia dúvida de que os líderes militares e civis estadunidenses pretendiam, naquele momento, separar de modo completo a guerra, e os afazeres bélicos, dos cidadãos alertados. Nesse sentido, tiveram um vislumbre do futuro que pretendiam construir, mas mesmo eles não poderiam ter adivinhado o rumo preciso que a guerra estadunidense viria a tomar. O Chefe de Estado Maior do Exército, general Creighton Adams, por exemplo, chegou a pensar que estava restringindo a temeridade de futuros líderes civis – como explicou Andrew Bacevich em seu livro The New American Militarism – “tornando o exército ativo dependente operacionalmente de seus reservistas”. Desse modo, nenhum presidente no futuro poderia colocar o país em uma guerra importante “sem primeiro dar o passo politicamente delicado e economicamente dispendioso de convocar os ‘guerreiros de fim-de-semana’ dos EUA’”

Abrams estava errado, é claro, embora se tenha certificado de que, décadas mais tarde, os reservistas também sofressem a dor de guerras desastrosas, lutadas outra vez no continente eurasiano. Mesmo assim, independente do que não sabiam os generais e líderes civis sobre os efeitos de seus atos de então, a Fundação da Força Toda Voluntária (AVF) pode ter sido a mais importante decisão tomada por Washington na era pós-Vietnã do encurtado American Century.

Hoje em dia, poucos lembram aquele momento, e ainda menos avaliam sua importância. No entanto, em termos históricos, pode-se dizer daquela separação entre guerra e população, em 1973, que tenha terminado um experimento democrático de quase dois séculos, o de fundir o cidadão mobilizado ao Estado mobilizado, em tempo de guerra. Isto havia começado com o levée en masse durante a Revolução Francesa, que mandou à frente de batalha cidadãos sublevados para salvar a República e espalhar no exterior seu fervor democrático. Apoiava-os uma população mobilizada, pronta a sacrificar qualquer coisa pela República (e depois de muito pouco tempo, é claro, pelo império).

O resultado, no entanto, foi que o cidadão conscrito tinha seus limites e, portanto, quase 200 anos depois, outros cidadãos revoltosos e seu exército, frente doméstica e frente de batalha, seriam pacificados, dispensados do serviço, enquanto as guerras do império eram deixadas para os profissionais. Uma era terminava, mesmo que ninguém houvesse notado. (Como resultado, e caso se esteja com disposição para a ironia, a guerra dos cidadãos seria deixada aos guerrilheiros do mundo, o que em nossa época equivale principalmente a dizer seitas religiosas fundamentalistas.)

Apenas convidar os profissionais e botar para fora os amadores não era suficiente, porém, para tornar a decisão realmente importante. Outra escolha deveria acompanhá-la. O desastre que foi o Vietnã – ou aquilo que, à medida que a década de 1970 progredia, começou a ser chamado de “Síndrome do Vietnã” (como se o povo norte-americano houvesse sido acometido por uma doença psíquica incapacitante) – poderia ter posto Washington e, portanto, toda a nação, em um curso inteiramente diferente.

Os Estados Unidos poderiam ter-se afastado do mundo, ainda que parcialmente, para lamber suas feridas. Ao invés disso, a postura global do país como “líder do mundo livre” e seu papel autoconferido de guardião do planeta nunca foram questionados, assim como a política global de instalação de bases subjacente a eles. Em meio à Guerra Fria, da Indonésia à América Latina, do Japão ao Oriente Médio, nunca foi considerada seriamente nenhuma diminuição dos sonhos imperiais dos Estados Unidos.

A decisão de não reduzir sua presença militar global após o Vietnã misturou-se à decisão de criar uma força militar que livraria Washington de preocupações com aquilo que as tropas poderiam pensar. Logo, como escreveu Bacevich, a nova AVF seria composta de “profissionais altamente treinados e bem pagos que (presumindo-se que os generais concordem com os desejos da liderança política) irão a qualquer lugar sem fazer perguntas, para cumprir as ordens do comandante-em-chefe.” Na verdade, isso abriria o caminho para um novo tipo de militarismo no país e no exterior.

A chegada da corporação guerreira

No rastro do Vietnã cessaram as guerras e, durante alguns anos, a guerra chegou a sumir da cultura popular estadunidense. Quando retornou, as batalhas aéreas aconteciam no espaço exterior. (Pense em Guerra nas Estrelas). Naquele ínterim, uma espécie de silêncio estarrecido, de sentimento de derrota, abateu-se sobre a esfera política estadunidense – mas não por muito tempo. Na década de 1980, os anos da presidência de Ronald Reagan, a guerra ao estilo estadunidense foi cuidadosamente reconstruída, dessa vez com novas diretrizes.

O próprio Reagan declarou o Vietnã uma “causa nobre”, e forças armadas recém-profissionalizadas, expurgadas de descontentes e rebeldes, começaram outra vez a invadir pequenos países (Granada, Panamá). Ao mesmo tempo, o Pentágono investia inteligência e planejamento em como pôr a mídia (culpada pela derrota no Vietnã) em seu devido lugar, de modo a dar ao público as notícias de guerra que este merecia. Ao longo do processo, repórteres foram barrados do esforço de guerra, depois “convidados a participar”, e, por fim, “integrados” a ele, enquanto generais reformados eram mandados às emissoras de televisão como se fossem os comentaristas esportivos dos programas de segunda-feira à noite, para narrar nossas guerras à medida que aconteciam. Enquanto isso, o público simplesmente ficava no banco de reservas.

Ano a ano, a guerra tornava-se uma atividade cada vez mais estadunidense e, no entanto, mais afastada da maioria dos estadunidenses. O cidadão democrático de mente livre e capacidade de rebelar-se fora mandado para casa, e logo desmobilizado também na frente doméstica. Como resultado, apesar da conversa mole sem fim no período posterior ao 11 de Setembro, sobre honrar e apoiar as tropas, uma “frente doméstica” mobilizada, que se sacrificasse por aqueles que lutavam em seu nome, iria tornar-se uma relíquia histórica em um país cujos líderes haviam começado a gabar-se de terem as melhores forças armadas que o mundo já vira.

Mas não é bem verdade que ninguém estivesse mobilizado. No espaço deixado vago pelo cidadão, a mobilização continuava, apenas de maneira diferente. Ainda mais mobilizados, por exemplo, estavam os poderes da ciência em larga escala e da academia a serviço do Pentágono, os fabricantes de armas e a corporação.

Enquanto isso, ao longo dos anos, aquele exército “profissional”, aquela força “inteiramente voluntária”, começaram a mudar também. Da década de 1990 em diante, de um modo que seria inconcebível para um exército de convocados, as tropas começaram a ser privatizadas – isto é, integradas ao estilo corporativo de guerra e lucro.

A guerra agora não seria travada pelo cidadão ou por ele, mas bastante literalmente por e para a Lockheed Martin, a Halliburton, a KBR, a DynCorp, a Triple Canopy e a Blackwater (antes Xe, e ainda antes Academi). Enquanto isso, aquele cidadão tremia ao pensar em nossos inimigos terroristas e depois continuava com sua vida normal como se nada, em absoluto estivesse acontecendo (“Vá até o Disney World na Flórida. Leve sua família e aproveite a vida do modo que queremos que seja aproveitada,” foi a resposta que George W. Bush sugeriu aos ataques do 11 de Setembro, duas semanas depois do acontecido, com a “guerra ao terror” já oficializada.)

Apesar da escassez de inimigos reais de qualquer importância, os dólares dos contribuintes foram despejados nos cofres do Pentágono e do complexo militar-industrial, e também nos de um novo minicomplexo industrial de segurança interna e nos de um florescente complexo que combinava indústria e inteligência, em níveis desconhecidos nos anos da Guerra Fria. Lobistas estavam em toda parte e o momento era dos melhores, mesmo quando nas zonas de guerra as coisas iam bastante mal.

Enquanto isso, naquelas zonas de guerra, a Grande Corporação tomava para si as mais humildes funções dos soldados – descascar batatas, cozinhar refeições, construir bases e postos, entregar a correspondência – e receberiam inclusive armas (e bombas). Em breve, até mesmo os moribundos seriam entregues a corporações contratadas. O Iraque e o Afeganistão ocupados foram invadidos por dezenas de milhares de empreiteiros particulares e pistoleiros, enquanto militares treinados em unidades de elite de operações especiais conseguiram ótimos lucros ao juntar-se às corporações mercenárias que faziam trabalho semelhante, com frequência nas mesmas zonas de guerra.

Foi um golpe notável. Guerra e lucro têm estado há muito conectados de forma complicada, mas raramente de maneira tão direta. Agora, ganhando ou perdendo no campo de batalha, havia sempre vencedores entre a classe crescente das corporações guerreiras.

A Força Voluntária, flexível como deve ser um exército, e apoiada pela Avenida Madison com algumas centenas de milhões de dólares para garantir que suas fileiras estivessem completas, tornou-se ainda mais separada da maioria da sociedade estadunidense. Iria, de fato, tornar-se ainda mais estrangeira (como na Legião Estrangeira) e ainda mais mercenária (pense nos hessianos). Os serviços de inteligência do estado de segurança nacional terceirizaram de modo similar partes significativas de seu trabalho para o setor privado. De acordo com Dana Priest e William Arkin, do Washington Post, em 2010 cerca de 265,000 entre as 854,000 pessoas que tinham acesso a níveis elevados de segurança pertenciam a empreiteiros privados e “perto 30% da força de trabalho das agências de inteligência [era de] empreiteiros.”

Ninguém pareceu notar, mas a versão 1% da guerra estadunidense se estava realizando, sem ser impedida por exército de convocados, um Congresso cético, ou uma cidadania democrática. De fato, os estadunidenses, geralmente preocupados com vidas nas quais nossas guerras têm um papel quase nulo, prestaram pouca atenção.

Guerra pilotada remotamente

Embora as primeiras tecnologias de drone já tivessem sido usadas no Vietnã do Norte, é inteiramente em outro sentido que os drones têm vindo ao encontro do futuro dos Estados Unidos desde 1973. Houve uma estranha lógica nisso: primeiro veio a guerra profissional, depois a guerra privatizada, e então a guerra mercenária e terceirizada – e todas tornaram a guerra cada vez mais distante da maioria dos estadunidenses. Por fim, tanto literal quanto figurativamente, veio a própria guerra pilotada remotamente.

***Não poderia ser mais apropriado que a Força Aérea prefira que não se chamem suas mais recentes armas maravilhosas de “veículos aéreos não tripulados”, ou UAVs (unmanned aerial vehicles). Querem que se use o rótulo “aeronave pilotada remotamente”, RPA (remotely piloted aircraft), em vez disso. E cada vez mais remotamente pilotado será o veículo, até que – afirmam os crentes e entusiastas – ele pilotará a si mesmo, aterrissará a si mesmo, manobrará a si mesmo e, durante o voo, até mesmo escolherá os próprios alvos.

Nesse sentido, imagine nosso movimento de um exército de cidadãos para forças armadas robotizadas e, finalmente, robóticas – forças armadas que são uma legião estrangeira no sentido mais básico. Em outras palavras, movemo-nos em direção a uma terceirização ainda maior da guerra para coisas que não conseguem protestar, não conseguem votar com suas ações (ou suas asas), e para as quais não há “frente doméstica” ou mesmo lar. Em certo sentido estamos como temos estado desde 1973, chegando a uma forma de guerra sem ninguém, cidadão ou não, em perspectiva – exceto aqueles no solo, tanto civis quanto inimigos, que morrerão como sempre.

É claro que é possível que jamais aconteça dessa forma, em parte porque drones são tudo menos armas maravilhosas ou perfeitas, e em parte porque a guerra corporativa travada por um exército inteiramente profissional acaba por ser incrivelmente dispendiosa para o cidadão desmobilizado, perdulária em seu desperdício, e – pelos indícios da história recente – notavelmente malsucedida. Além de não poder estar mais distante da ideia de democracia ou república.

De certo modo a idade imperial moderna começou há centenas de anos com a guerra corporativa, quando holandeses, ingleses e outras companhias das Índias Orientais içaram velas, armadas até os dentes, para subjugar o mundo por lucro. Talvez a guerra corporativa termine por mostrar-se o ponto final também desta era, a fórmula perfeita para o último império global em seu declínio.

Tom Engelhardt, co-fundador do Projeto do Império Americano e autor de The American Way of War: How Bush’s Wars Became Obama’s , e de The End of Victory Culture, dirige o site do Nation Institute, TomDispatch.com. Seu mais recente livro, The United States of Fear (Haymarket Books), acaba de ser publicado.