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A grande mídia comercial, jornais e TVs, fez muito alvoroço com a votação a respeito da Síria, sexta-feira, 1º de junho, no Conselho de Segurança da ONU. Esforçou-se o quanto pôde por dar vitória ao governo de Washington e seus aliados, que tudo fazem a fim de tirar proveito do massacre recente na vila de Houla e com ele de justificar uma intervenção militar para derrubar o governo de Bashar El-Assad, que ousa não se submeter a eles. O noticiário foi faccioso ao deixar sem registro ou só na penumbra o fato de que Rússia e China mantiveram sua posição de recusar a intervenção armada, no que foram acompanhados por diversos países importantes. Merece relevo especial a atitude dessa mídia “bem comportada” com Washington a omissão dela em relação ao voto do Brasil, que não destoou de seus parceiros no BRICS e de modo resoluto se posicionou contra a intervenção militar externa para resolver o conflito interno sírio.

“Não há solução militar para a atual crise na Síria, e o governo sírio é o principal responsável por criar as condições necessárias para que o plano de seis pontos [da ONU] possa prosperar”, disse a embaixadora Maria Nazareth Azevedo, representante do Brasil.

Clique aqui para ver a notícia extensa dada pela Agência Brasil.

Não por acaso, mais silenciosa ainda foi a mídia de negócios em relação ao comunicado dos países da Alba (Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela), que afirmou: “Reiteramos nossa solidariedade com o Governo e o povo sírio diante dessa difícil situação que atravessam. Nos preocupa que se repita o mesmo procedimento de interferência aplicado por potências estrangeiras na Líbia”

Em reunião da ONU, Brasil rechaça intervenção militar na Síria

01/06/2012 – 13h52

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Brasil rechaçou hoje (1º) a possibilidade de adoção de uma resolução em favor de intervenção militar na Síria na tentativa de conter a série de violência na região. A embaixadora do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Nazareth Farani Azevêdo, defendeu que as autoridades sírias solucionem o impasse internamente, mas que uma Comissão de Inquérito das Nações Unidas investigue as denúncias de violações de direitos humanos no país. O assunto foi tema de uma sessão extraordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a situação na Síria.

“Não há solução militar para a atual crise na Síria, e o governo sírio é o principal responsável por criar as condições necessárias para que o plano de seis pontos [negociado pelo emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan] possa prosperar”, disse a embaixadora, na sessão extraordinária, em Genebra, na Suíça. “Estamos extremamente preocupados com os relatos que descrevem a atual situação na Síria como de pré-guerra civil”, completou.

A possibilidade de intervenção militar é defendida pela embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, os esforços diplomáticos não têm sido suficientes para conter a violência na Síria. Porém, os Estados Unidos defendem que a intervenção ocorra apenas com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas – no qual há resistências da Rússia, que é contra a medida.

Segundo a embaixadora Maria Nazareth Azevêdo, há um “senso de urgência” na Síria devido aos relatos de massacre, como o ocorrido em Houla, no dia 27, matando 108 pessoas, inclusive crianças.

“[Condenamos] nos termos mais fortes possíveis os assassinatos, confirmados por observadores das Nações Unidas, de dezenas de homens, mulheres e crianças e ferimentos de centenas na aldeia de El-Houleh, perto de Homs”, ressaltou ela.

Para a representante do Brasil, é essencial que o governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, coopere com as ações em busca da implementação da paz na região. “É imperativo que o governo sírio coopere plenamente com a Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria e ponha fim imediato ao movimento de tropas em direção às áreas urbanas”, disse.

A embaixadora reiterou a necessidade de investigar as acusações de crimes de violação de direitos humanos e contra a humanidade na Síria. “Em conformidade com o nosso apoio a todas as resoluções anteriores sobre abusos de direitos humanos na Síria adotadas por este Conselho, pela Assembleia Geral da ONU e pela Unesco, o Brasil insta a Comissão de Inquérito a investigar as mortes e estabelecer responsabilidades por esses crimes”, disse a diplomata.

Edição: Talita Cavalcante