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O Diário do Povo, órgão do Partido Comunista Chinês, tornou mais visível a resistência de seu país à investida de propaganda de EUA e seus sócios ocidentais no sentido de justificar uma intervenção militar na Síria com o fim de derrubar o governo local e substituí-lo por outro que lhes seja dócil. O editorial faz mira na chave principal dessa campanha hoje – o massacre na cidade de Hula – para desmistificar a versão propalada de que se trata de uma ação de tropas do governo de Damasco e milícias a ele associadas. O artigo aproveita para criticar o bloco formado pelos grandes órgãos de mídia comercial nos países capitalistas, aos quais denuncia como agentes de mistificação dos fatos e manipuladores de opinião. Exorta os órgãos de mídia chinesa a encontrar meios e modos de neutralizar a penetração na China, principalmente através das chamadas redes sociais da Internet, dos produtos dessa fábrica de inverdades.

Leia a matéria original, versão em inglês, clicando aqui. A tradução de Roberto Teixeira você acompanha abaixo.

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Na mesma edição de 6 de junho, outra matéria do jornal chinês tece críticas à ação das chamadas redes sociais da Internet, tipo Facebook. Reconhece a utilidade potencial delas, mas convida a pensar na artificialidade perversa da comunicação pessoal que elas estimulam. Elas “apelam para nossos instintos socializantes, mas podem arruinar nossa capacidade de comunicação”, diz, e observa: “O sentido de felicidade vem da qualidade, mas não da quantidade das interações sociais, e vem da profundidade e não da frequência das comunicações”. A íntegra da matéria original, interessante e polêmica, com título da versão inglesa Has social networking brought people closer?, você pode ler clicando aqui.

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O que está por trás da “verdade” da mídia ocidental de notícias?
(Diário do Povo on line)
06 de junho de 2012

O “Massacre de Houla”, na Síria, que ceifou mais de 100 vidas, incluindo pelo menos 32 crianças, chocou o mundo. Atualmente, o trágico acontecimento não foi ainda esclarecido, mas muitos meios de comunicação ocidentais acusaram o governo sírio. Muitos países ocidentais anunciaram imediatamente a expulsão dos embaixadores da Síria.

A verdade por trás do ataque a cidade Houla precisa de tempo para ser investigada mais a fundo. No entanto, tendo em vista eventos anteriores, nos últimos anos, a verdade muitas vezes não foi conforme o que a mídia ocidental relatara.

Por exemplo, antes da guerra do Iraque, os meios de comunicação ocidentais gritaram que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, mas os fatos provaram que era fictício. Em seguida, centenas de milhares de iraquianos morreram na guerra. Antes da crise financeira, a mídia dos EUA ainda defendia que o sistema dos EUA é superior, a economia dos EUA é poderosa e de crédito dos EUA é 3A. No entanto, quando veio a crise, a economia mundial sofreu muito. Os motins que ocorreram em Lhasa e Urumqi na China, em 14 de março e 5 de julho, respectivamente, foram na verdade crimes violentos, mas a mídia ocidental relatou-os como “cruel repressão do governo chinês”.

Esses fatos têm provado que o truque habitual da mídia ocidental é distorcer e seletivamente aproveitar os fatos para servir a seus propósitos subjetivos.

Tome-se a questão da Líbia como um exemplo: nunca os relatórios dos meios de comunicação ocidentais mencionaram quantas pessoas inocentes foram mortas e feridas durante os ataques aéreos da OTAN. Os meios de comunicação ocidentais são, na verdade, o porta-voz dos interesses hegemônicos ocidentais e farão qualquer coisa extrema a fim de salvaguardar os interesses do capital ocidental no mundo. Os comportamentos hipócritas dos meios de comunicação ocidentais são visíveis nos últimos acontecimentos internacionais. A verdade tornou-se obscura em seus ocultamentos. Muitas pessoas acreditam nas mentiras montadas pelos meios de comunicação ocidentais e raramente procuram a verdade. A tendência social ruim é que alguns acreditam em algo para sempre e outros jamais acreditam. É cada vez mais difícil chegar a um acordo sobre a verdade. O fenômeno social negativo é resultado da instigação maliciosa de alguns meios de comunicação. Estes não têm juízo de valor básico, nem padrão de certo e errado, e constantemente enviam mensagens erradas para o público. Alguns tablóides, por exemplo, gostam de ostentar a bandeira da “busca da verdade” para encontrar alguém para falar por eles e servi-los. Além disso, alguns meios de comunicação até mesmo amarram os seus interesses aos países ocidentais e fazem propaganda em seus informes diários. A esse respeito, a nossa sociedade não deve mais manter silêncio e mas deve formar um mecanismo de correcção.

A China atual é uma sociedade diversificada e, quando ocorre um incidente, as pessoas querem saber a verdade o mais rápido possível. Mas a realidade é que o curso de abordar a verdade está se tornando mais difícil neste campo cada vez mais ruidoso de opiniões. Especialmente depois que a Internet se tornou muito desenvolvida, as pessoas tendem a acreditar em cada jato de notícia, embora muitos deles sejam notícias falsas ou suposições infundadas.

Portanto, o valor social e a responsabilidade da mídia jornalística são ainda mais importantes na era da Internet. A mídia deveria arcar com a responsabilidade social de mostrar a verdade ao público, mas não deve deliberadamente criar sensações sem significado ou até mesmo mentir para atrair atenções. Quanto ao princípio de relatar a verdade, a mídia ocidental não é em absoluto honesta. Os meios de comunicação chineses devem ter seus ajustes e pontos de vista corretos.

Um mundo real e diversificado deve ter mais de uma voz. Portanto, a mídia chinesa deverá desempenhar um papel mais importante na cena internacional e fazer perguntas detalhadas sobre a “verdade” relatada pela mídia ocidental. Só assim a verdade não será manipulada e algumas pessoas, engambeladas.