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O dia em que Vargas afastou os fascistas do governo

Dia 17 agora faz 70 anos da demissão de Filinto Müller (1900-1973) da chefia de polícia da ditadura do Estado Novo, que usava, entre outros instrumentos de tortura de presos políticos, uma espécie de alicate para apertar e esmagar testículos e pontas de seios — além de um maçarico, meu Deus, que queimava e arrancava pedaços de carne. Müller (foto) ganhou (má) fama internacional ao ser apontado como responsável pela entrega da judia alemã Olga Benário, mulher de Luís Carlos Pestes, à Alemanha, onde seria executada.

Flinto Müller

Com Filinto Müller, saíram outros simpatizantes do nazifascismo, como Francisco Campos (1891-1968), ministro da Justiça, que tinha o apelido de Chico Ciência, e o escritor sergipano Lourival Fontes (1899-1967), chefe do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda).

— A queda da ala nazistóide — conta o historiador Israel Beloch — se deu depois de uma passeata promovida pela UNE (bons tempos!), na data da Independência dos EUA (4 de julho), em apoio à entrada do Brasil na guerra e em protesto contra o afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães.

Müller propôs a proibição da passeata. Na ausência de Campos, travou uma violenta discussão com o ministro em exercício, Vasco Leitão da Cunha, que chegou a ordenar a prisão do todo poderoso chefe de polícia por desrespeito à autoridade. “A passeata”, prossegue Beloch, “se realizou com apoio da ala democrata, capitaneada por Osvaldo Aranha (ministro do Exterior) e Amaral Peixoto (interventor no Estado do Rio), e, dias depois, o grupo pró-germânico foi defenestrado. O ministro da Guerra, Eurico Dutra, que amava o Exército alemão, ficou.”

No mês seguinte, em agosto de 1942, o Brasil declarava guerra à Alemanha.

Tanto Francisco Campos como Filinto Müller, coerentes, voltaram a servir a outra ditadura, a de 1964. Campos ajudou a redigir os dois primeiros atos institucionais, e Müller foi líder do governo militar no Congresso e presidente da Arena. Mas aí é outra história.