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O tema guerrilha na América do Sul é complexo e controvertido. Depois de algumas tentativas frustradas de luta armada no campo empreendidas por grupos voluntaristas nos anos 1960-70 – em Bolívia, Argentina, Brasil e outros países – com apoio escasso entre trabalhadores e pequenos proprietários rurais, essa opção passou a ser vista com ceticismo entre alguns meios de esquerda, em particular no Brasil. Àquela experiência traumática se somou a propaganda hostil da mídia empresarial comandada por Washington para deixar sob suspeita, na opinião pública, o movimento guerrilheiro das FARCs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Este se lançou ao combate em 1948, mas com raízes profundas entre camponeses e indígenas, e resiste até hoje, quando está associado a outro movimento de guerrilha local, Exército do Povo, e com este se apresenta sob a sigla FARC-EP. Nesses 64 anos, embora conseguindo vitórias expressivas, o movimento sofreu muitas derrotas e perdas, mas sempre se reergueu, graças ao apoio encontrado na população e à combatividade de seus integrantes. Também sofreu desgaste pela a adoção de táticas de luta nem sempre bem percebidas, em particular sequestros de civis e cobrança de impostos do comércio de drogas nas zonas que ocupa, que facilitaram a propaganda inimiga visando estigmatizá-lo. Nestes meados de 2012, com suas táticas filtradas e revigorado pelo fracasso dos governos neoliberais do país, o movimento FARC-EP parece ganhar novo alento. É o que relata Miguel Urbano Rodrigues, combativo e lúcido publicista português com larga passagem de exilado no Brasil. Ver aqui o artigo e aqui o link para informações do movimento.