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Continua a onda de violência em São Paulo – capital e periferia -, comentada em Mirante aqui. Mauro Santayana dedicou ao tema excelente artigo (aqui).

A mídia mercantil enfatiza a cifra de fato alarmante de quase uma centena de policiais mortos em 2012, mas o número de vítimas fatais na população civil residente lá, no mesmo período, é dez vezes maior, segundo o blog Conversa Afiada, com grande maioria de jovens pobres. Cesar Fonseca publicou em sua coluna Independência Sul-Americana matéria interessante a esse respeito.

Com o título de “Explode terrorismo juvenil urbano em SP” – equivocado a meu ver, pois não se trata de terrorismo, e menos ainda de terrorismo juvenil, mas sim de uma situação de conflito social tratada sob uma política de segurança pública pautada na repressão aos pobres – extraímos de sua matéria uma proposta de flexibilidade na legislação trabalhista que merece atenção, conquanto o mais adequado, pensamos, fosse uma política de Estado mais abrangente e efetiva de ensino público e de segurança.

Cesar Fonseca sumariza assim sua opinião:

Transformar as empresas em OFICINAS-ESCOLAS, para que possam contratar jovens de 14 aos 18 anos, pagando, apenas, seguro de acidente, para evitar, no futuro, aposentadorias precoces, é a alternativa humana, viável, de curtíssimo prazo, para salvar da morte cerca de 90 mil jovens nessa faixa etária, condenados pela Lei do Menor, injusta, irreal, inconsequente, responsável diretamente, por engordar o terrorismo urbano juvenil, no Brasil, sob comando dos narcotraficantes.

E expõe:

“A coisa já vem se formando há tempos. Os pobres e marginalizados com seus filhos impossibilitados de dispor de oportunidades de estudo e trabalho caíram todos nas malhas do narcotráfico.

“Primeiro, isso começou, ampliou e se consolidou nos grandes centros urbanos. Hoje, o movimento se espalhou pelo interior e ganha dimensão assustadora, com as estatísticas dando conta de que o Brasil se transformou no maior corredor de exportação de drogas, e o consumo interno se ampliou extraordinariamente, especialmente, no compasso da melhor distribuição da renda pelo poder petista.

“Não seria novidade se parte dessa distribuição estivesse sendo desviada pelos marginalizados para dinamizar o mercado de narcóticos, por meio da corrupção, tão comum nesse País, socialmente, desigual.

“Todo um exército de cerca de 90 mil integrantes está sendo mobilizado por essa guerra sem freio.

“Não é um exército de soldados, diga-se.

“É o exército de jovens marginalizados, na faixa dos 14 aos 18 anos, idade em que o ser humano é mais propício à aprendizagem, quando, em condições normais de temperatura e pressão, ou seja, de oferta satisfatória de educação e de atividades culturais enriquecedoras da personalidade, busca, naturalmente, descobrir suas vocações intrínsecas, sua família vocacional, aberto às influências de forma excessivamente generosa, predisposto às influências etc.

“Como os miseráveis moradoras das periferias não têm vez no ambiente econômico socialmente excludente da sociedade capitalista brasileira, marcada pela superconcentração da renda nacional, evidentemente, o destino dos jovens nessa faixa de idade é a rua, onde sofrerá a influência do que nela transcorre, isto é, a lei da selva.

Infelizmente, a universalização do ensino ainda não pegou esses miseráveis e, evidentemente, por serem totalmente excluídos socialmente não podem alcançar sequer uma profissão, porque existe não apenas o impedimento maior, econômico, mas, igualmente, o impedimento complementar de uma legislação que impede seja o jovem, na faixa de 14 aos 18 anos, proibido de trabalhar.

“A existência dos chamados cursos técnicos, amplamente, oferecidos na praça, para formar profissionais para o mercado de trabalho, não alcança eles.

“Por que?

“Simples.

“Falta dinheiro para que possam pagar esses cursos, e a oferta de escolas técnicas públicas, no Brasil, não supre a demanda, algo, historicamente, condenável, já que, sob as elites governantes, não se cuidou do futuro do País, isto é, os jovens pobres, agora, nas ruas, contribuindo, decisivamente, para a expansão do terrorismo urbano.

“Se, por um lado, a elite, que é a direita política mais violenta que existe em terra brazilis, não tomou providências, igualmente, por outro lado, a esquerda, também, é lerda em buscar soluções, especialmente, quando se chega ao governo, porque se divide diante do que aí está que não funciona, como é o caso evidente da Lei do Menor, elitista, inoperante, inconsequente, incoerente, incompetente.

“Cinicamente, a direita, sem projeto para o País, nem para o presente nem para o futuro, ou seja, para os jovens, visto que seu objetivo é , sempre, o curtíssimo prazo, para que possa ganhar o máximo, no menor espaço de tempo possível, e o resto que se dane,  criou uma legislação que não funciona.

“E, condescendentemente, a esquerda, diante da inoperância legal, se acomoda, deixando as coisas acontecer, acreditando que o livre mercado é a solução.

“Enquanto isso, sem saber o que fazer com os jovens de 14 aos 18 anos, esquerda e direita vêem estupefatas explodir o terrorismo urbano.

“Agem, todos, como são os casos do PT e do PSDB, na guerra civil, em São Paulo, atropeladamente, em cima das pernas, sobre as consequências, não sobre as causas.

“Evidentemente, atacar as causas significa remover as barbaridades contidas na legislação do menor que não deixa que o mercado de trabalho possa utilizar os jovens de acordo com uma orientação legal factível, porque a que está em vigor é totalmente inviável.

“Os programas existentes, como o chamado Jovem Aprendiz, que permite àqueles das faixas de 14 aos 18 anos trabalharem, são inconsequentes.

“Eles tentam inutilmente atrair os empresários para colocar nas empresas os jovens a fim de aprenderem um oficio para o exercício do primeiro emprego.

“Contudo, exigem do empregador que ele arque com todos os custos sociais e trabalhistas, como se tivesse contratando um trabalhador já experimentado.

“Trata a lei o empresário como alguém burro.

Pode?

“Se o empregador pode ir ao mercado buscar aquele que atende as especificações no campo do trabalho de modo a satisfazer sua necessidade, por que ensinaria a um menor de 14 aos 18 anos o ofício, se tem que pagar os mesmos custos que teria se contratasse aquele que já sabe exercitar muito bem tal ofício?

“Por isso, as ofertas para o jovem aprendiz obter o seu primeiro emprego somente existirão, se o governo oferecer ao empresário a vantagem comparativa que está oferecendo, por exemplo, para fazer com que a economia, no contexto da crise mundial em curso, não desacelere, de modo a sustentar a taxa de emprego satisfatória.

“Se o governo desonera o empresário para manter dinâmica a atividade produtiva, por que, também, não o desonera para poder contribuir para tirar os jovens marginais de 14 aos 18 anos das ruas, onde estão sob o foco dos narcotraficantes, atraindo-os para o exército do terror urbano em grande expansão na atualidade?

“Se o empresário puder contratar jovens nessa faixa de idade, pagando, somente, seguro de acidente, para que eles trabalhem quatro horas diárias, dispondo, portanto, de tempo para estudar, certamente, as empresas poderiam se transformar em verdadeiras OFICINAS-ESCOLAS.

“Dos 14 aos 18 anos, os jovens alcançariam uma profissão, num momento de sua existência em que suas exigências espirituais e físicas se adaptam, perfeitamente, a uma disciplina dedicada à educação para o trabalho, sofrendo a influência positiva deste, para formação de sua personalidade.

“Quando alcançar os 18 anos, terão sua profissão e, certamente, caminharão por si mesmos, conscientes de que terão condições de ganhar acima de três salários mínimos.

“Poderão satisfazer suas exigências materiais e espirituais, algo que os jovens, jogados, atualmente, no terrorismo urbano, sob comando dos narcotraficantes, estão impossibilitados de alcançar, visto que se transformaram em escravos da escola da marginalidade.

“São mais de 90 mil jovens que estão no olho da rua sem alternativas para a sobrevivência digna para um ser humano, segundo as estatísticas do IBGE.

“A esquerda, ingênua, bate na tecla de que o jovem não deve trabalhar , deve ir para a escola, como acontece em Cuba, onde não existe marginalidade nessa faixa de idade.

“Viva Cuba, que conseguiu tamanha façanha, graças, naturalmente, à visão política socialista, que coloca o ser humano em primeiro lugar!

“Mas, o que fazer no curtíssimo prazo com esses 90 mil condenados à morte na guerra urbana?

“Estão morrendo mais de 5 mil jovens por mês, assassinados em São Paulo.

“Teoricamente, em 18 meses, esses 90 mil estarão mortos, se 5 mil são assasinados, mensalmente(90/18).

“Trata-se do maior massacre jamais visto na história da humanidade, registro estatístico que emerge como contribuição brasileira para o exercício da barbárie humana.

“O impasse está formado: ou o governo acorda e joga a legislação do menor no lixo, como fruto da orientação de uma elite de direita, historicamente, bárbara, continuando a agir em cima das consequências, correndo atrás do prejuízo por não estar enfrentando, para valer, as causas, ou adota uma solução satisfatória e duradoura de curto prazo, colocando os jovens para trabalhar nas OFICINAS-ESCOLAS, ou seja, nas empresas, adotando, para estas uma política de estímulo à oferta do primeiro emprego que as atraia, porque a lei em vigor espanta-as.

“Certamente, essa PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA, no campo da educação técnica, para formação de mão de obra, de modo a salvar os jovens de 14 aos 18 anos, representa tática de curtíssimo prazo, alternativa à condição existente, que é a que está destruindo a juventude brasileira oriunda das classes sociais marginalizadas, sem alternativa de sobrevivência conforme a dignidade humana.

“O Congresso Nacional, que está se transformando numa entidade inútil, sob governabilidade eternamente provisória, responsável por levá-lo à endêmica cultura da corrupção política, continua na postura daquele personagem descrito musical e genialmente por Raul Seixas: parado, boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, enquanto o governo, manipuado por uma esquerda ingênua e inexperiente, reluta em fazer o que precisa ser feito por se ater a um moralismo inconsequente.

“Afinal, o que é melhor/pior: o jovem de 14 aos 18 anos trabalhar nas empresas transformadas em OFINAS-ESCOLAS, acessadas pelos pais, que poderiam, responsavelmente, levar seus filhos até elas, para os encaminharem na vida – algo  proibido pela atual legislação que tira a paternidade-maternidade dos país sobre os filhos – ou deixar rolar a situação atual, em que os pais estão impossibiltados, legalmente, de fazer isso, enquanto os narcotraficantes arrebanham esses jovens para engordar o exército terrorista nos grandes centros urbanos, para acelerar a guerra civil em curso?”

A matéria original está aqui.