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O jornal chinês Global Times publica análise de largo espectro da política em evolução dos Estados Unidos em relação à China. A matéria é interessante em si mesma, mas cresce de importância por refletir o pensamento oficial em Pequim e surgir no momento em que muda o quadro dirigente chinês e se define a reeleição do presidente estadunidense. No original aqui e na tradução de Vila Vudu a seguir.

EUA e China: uma nova dança

12/11/2012, Huai Chang, Global Times, China

Há quem diga que a disputa do século entre China e EUA já começou desde os Jogos Olímpicos de Londres. Depois do final da II Guerra Mundial, os EUA já enfrentaram dois desafiantes políticos ou econômicos: a União Soviética e o Japão. Será agora a vez da China?

Visto o quadro a partir de uma perspectiva de ininterrupta disputa por poder, os EUA continuam firmemente no controle do sistema global. Essa hegemonia foi atualizada, agora, para uma visão 2.0.

Os EUA usam seu poder de alavancagem financeira para absorver toda a riqueza global. Sempre se localizam no topo logístico da cadeia de suprimentos e da pirâmide dos lucros das corporações internacionais.

Os EUA também controlam a alocação de crédito e as regras de comércio dos mercados globais de capital, e já se estão convertendo em exportador emergente de energia. Além disso, os EUA contam com os aliados mais fieis e mais fortes, em termos de poder militar.

Mas, nos últimos anos, a China vem expandindo suas capacidades. Diferente do que se viu na Guerra Fria entre EUA e União Soviética, a futura competição estratégica entre China e EUA pode ser definida como “uma guerra nebulosa” [orig. “a cloudy war”],  porque é mutável, com limites difíceis de determinar.

China e EUA são rivais ambíguos, nunca claros. Os dois países são conscientes de que cooperam, competem e se confrontam em diferentes campos. Com o tempo, o foco pode mudar, tanto de um lado quanto do outro. Sem instância de conhecimento e compreensão mútuos, os dois lados veem o outro como inimigo potencial – ainda que isso não tenha qualquer influência no campo da cooperação econômica.

O movimento dos EUA para conter a China já não é movimento de confrontação em todos os campos. Em vez disso, os EUA tentam hoje um sítio suave [orig. soft siege]. A rede dos aliados dos EUA será montada em alianças temporárias, para objetivos temporários.

O papel dos EUA como polícia global também terá de ser ajustado. Os EUA tenderão a optar por guerras longas e de baixo custo, que se tornarão escolhas estratégicas frequentes para os EUA.

Atualmente, a China parece frágil, mas é nação de alta vitalidade e alto potencial. Nessas circunstâncias, o objetivo da contenção pelos EUA é manter EUA e China distantes, um do outro, em termos de disputa pelo poder, pelo maior tempo possível.

A política exterior dos EUA sempre careceu de altas doses de idealismo. Os EUA fizeram a Guerra ao Terror para tentar fabricar um novo inimigo. O presidente Barack Obama dos EUA, no segundo mandato, terá a tarefa de ajustar suas equipes de segurança nacional e de inventar novas formas de idealismo.

Saber que papel a China terá nesse novo capítulo requererá alta atenção e vigilância aplicada. Só assim será possível ver como se desenrolará, no futuro, a disputa do século, essa nova dança entre China e EUA.